Coluna: Braga Mueller Comenta
Autor(a): Carlos Braga Mueller

Notícia do Colunista:

O Cinema em BLUMENAU – Parte XV
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Quadro de orientação aos fiéis sobre os filmes em cartaz, afixado na porta de entrada da Igreja Matriz de São Paulo Apóstolo de Blumenau (Ano de 1966. Reprodução de fotograma do filme

26/05/2010

Hoje em dia se alguém receber na porta do cinema um folder de publicidade, provavelmente vai ler e depois jogar fora.
Antigamente, havia um cuidado especial em se guardar estes papéis, e prova disso foram duas revistas que ficaram na história do cinema em Blumenau.

Uma delas chamava-se “REVISTA DO CINE BLUMENAU”; a outra foi a “REVISTA PROGRESSO”, ambas distribuídas de graça aos freqüentadores do Cine Blumenau (a primeira) e dos Cines Blumenau e Busch (a segunda).

A “Revista do Cine Blumenau” foi editada de 1953 a 1961. Já a “Revista Progresso” surgiu para substituí-la, em 1961, circulando até mais ou menos 1967.

Além dos filmes que seriam exibidos em seguida, as revistas traziam publicidade local. Eram anunciantes as lojas CASA PEITER, HERMES MACEDO S.A., PROSDÓCIMO, CASA WILLY SIEVERT, PONTINHO, SUALIVRARIA (assim mesmo, junto), CIA.MERCANTIL VICTOR PROBST, LOJAS ZADROZNY, para citar as mais tradicionais, além da fábrica do PUDIM MEDEIROS..

A moda de se difundir a programação dos cinemas desta forma vinha dos grandes centros.

Por aquela época os circuitos cinematográficos do Rio e São Paulo distribuíam nos seus cinemas os informativos com as novidades dos filmes que seriam exibidos em seguida.

As mulheres tiravam do guarda-roupa os melhores vestidos; os homens usavam terno e gravata, e assim todos iam aos cinemas, elegantemente vestidos. Em Florianópolis, homem só entrava no Cine São José de gravata. E não adiantava insistir com o porteiro.

Ficaram famosos no Rio os programas impressos dos Cines Metro Passeio, Tijucas e Copacabana, bem como os da rede de cinemas de Luiz Severiano Ribeiro Jr.


A HISTÓRIA DAS DUAS REVISTAS

Segundo o historiador José Ferreira da Silva, no seu trabalho “A Imprensa em Blumenau” (Edição do Governo do Estado de Santa Catarina/1977), foi assim que surgiram a “Revista do Cine Blumenau” e a “Revista Progresso”:

“A direção da principal casa de projeções cinematográficas de Blumenau começou a publicar em janeiro de 1953, uma pequena revista, distribuída gratuitamente aos seus freqüentadores. Tinha, geralmente, 16 páginas, em sua maioria com propaganda das casas comerciais e produtos industriais, uma ou outra curiosidade, problemas de palavras cruzadas e, sobretudo, indicações e resumos dos enredos das próximas apresentações. O formato era de 16x22 cm.

Algum tempo depois, tendo a empresa assumido também a direção de outro cinema local, a revista passou a intitular-se “Revista Interna de Publicidade dos Cinemas Blumenau e Busch”, guardando as mesmas características e formato. A redação estava a cargo de Telvio Maestrini, que também era o responsável. Era impressa na Gráfica Tupi. Depois de uma interrupção na publicação, a revista voltou a circular em junho de 1961, com outra denominação: “Revista Progresso”, igualmente para distribuição interna e gratuita nos 2 cinemas citados.”

Ferreira ainda esclarece que era impressa agora na Tipografia Centenário, sem alteração no formato. E queixa-se de que “não consta, entretanto, nome do redator nem do responsável. Apenas figura a indicação de serem diversos os colaboradores, com assuntos transcritos de jornais e revistas”.

Pesquisando estas informações, acabamos encontrando o responsável pela REVISTA PROGRESSO, um amigo de longa data, Sr. Ercy Couto que na época era funcionário da Gráfica e Tipografia Centenário, de propriedade do Sr. Nicolau Elói dos Santos.

A Centenário ficava na Rua 15 de Novembro, bem em frente do Cine Blumenau.

Conversando com o Ercy, ficamos sabendo que ele era o “faz tudo” da revista. Ia atrás dos anúncios, fazia a composição tipográfica e até elaborava e criava as “palavras cruzadas”. Os leitores que enviassem as respostas corretas participavam de sorteios de ingressos para os cinemas. Além de a composição ser feita na gráfica, a mão, com tipos móveis, Ercy catava nos cinemas os “clichês” com fotos dos filmes. Tudo pronto entregava os exemplares para serem distribuídos.

Hoje em dia, conseguir um exemplar destas revistas não é fácil. Ercy me emprestou algumas, de onde reproduzimos o material que ilustra este trabalho.



15/07/2012 - ADENDO AO ARTIGO "CINEMA EM BLUMENAU - PARTE XV", por Carlos Braga Mueller


Um interessante comentário foi postado no artigo que escrevi sobre as Revistas Progresso e do Cine Blumenau, que eram distribuidas nos anos 60 nas portarias dos Cinemas Busch e Blumenau, na cidade de Blumenau, Santa Catarina.

O Sr. Aníbal Bonorino,do Rio deJaneiro, nos informa que mantém uma coleção de centenas de exemplares destas programações de cinemas cariocas.

É muito gratificante encontrar alguém que não jogava fora as "propagandas" que recebia antigamente (põe antigamente nisso) na porta dos cinemas, e as guardava, como souvenir.

Guardando estes "folhetos", Bonorino certamente tem em mãos uma coleção que poucos talvez tenham.

Estes programas contam nas entrelinhas histórias fantásticas de um tempo em que os cinemas ditavam a moda nas grandes cidades:os filmes, os astros e estrelas, as propagandas de uma época que não volta mais .... tudo isto desfilava naquele pequenino pedaço de papel impresso.

No Rio, a Cinelândia era o tradicional ponto de encontro dos cariocas, com seus cinemas majestosos, que tanta saudade deixaram!

Início dos anos 50 !

As telas rebrilhavam com os grandes musicais da Metro; as chanchadas do cinema nacional eram aplaudidas; o cinemascope e a terceira dimensão chegavam para combater a grande ameaça ao domínio do cinema como diversão: a TV.

Os viciados em cinema conheciam de cor e salteado os nomes dos atores e atrizes.

A época foi tão marcante que, anos depois, quando os Cines Metro fecharam no Brasil, um cinéfilo do Estado do Rio, Ivo Raposo, chegou ao ponto de recuperar mobiliário e peças do antigo Cine Metro Tijuca do Rio (eram 3: o Passeio, Tijuca e o Copacabana), reconstruindo em uma propriedade sua, na cidade de Conservatória (RJ), em tamanho menor, a réplica do cinema que havia sido seu sonho nos anos dourados da juventude. Batizou esta réplica de centíMETRO...e hoje em dia exibe filmes para amigos e convidados em sessões semanais onde o gongo anuncia o início da sessão, as cortinas se abrem e a projeção começa.

Raposo mantém um blog em homenagem ao seu cinema idolatrado:

http://www.cinecentimetro.blogspot.com.br

Bonorino, Raposo, eu, somos pessoas que aprendemos a amar a chamada "sétima arte". E certamente isto nos deu oportunidades de enxergar a vida sob a ótica de verdadeiros cineastas, porque com as lentes de câmeras imaginárias fomos filmando o filme de nossas vidas...

Foto referente ao adendo, publicado hoje (15/07/2012) por Carlos Braga Mueller