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RESPIRAR, AINDA É POSSÍVEL ?
| Coluna: Braga Mueller Comenta - Autor(a): Carlos Braga Mueller |
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18/10/11
por Carlos Braga Mueller
Jornalista e Cinéfilo
A cada minuto aumenta o grau de poluição ao redor do Planeta Terra.
Os mais preocupados anunciam: está chegando o fim do mundo . Preparai-vos !
Mas, em que ponto termina a realidade e começa a ficção ?
Será que amanhã ainda poderemos respirar um ar saudável ? Ou enxergar nuvens brancas em um céu azul ?
NA TV, A FICÇÃO PRENUNCIA A REALIDADE
No rastro de outras mega produções do cinema e televisão, a Fox acaba de lançar uma nova série na TV paga, esta intitulada TERRA NOVA, que tem como produtor executivo o imbatível Steven Spielberg.
Nos Estados Unidos, "Terra Nova" estreiou no dia 26 de setembro; no Brasil a janela foi de apenas 2 semanas e no dia 10 de outubro foram ao ar no Canal Fox os dois capítulos iniciais da série: Genesis 1 e Genesis 2.
Spielberg, um cineasta acima de tudo cinéfilo, foi buscar inspiração em vários filmes de ficção-científica, inclusive em algumas produções suas.
Parece que a base inicial inspirou-se no ambiente espectral da Los Angeles do filme "Blade Runner, o Caçador de Andróides", de Riddley Scott, realizado em 1983, um verdadeiro "cult" do cinema.
Depois, somos levados a participar de algumas incursões no passado que nos trazem à memória um famoso seriado televisivo dos anos 60: "Túnel do Tempo", lembram?
E tem mais: os dinossauros de "Parque dos Dinossauros" estão presentes, assim como o principal suspense reside na luta pela sobrevivência que os humanos tem que enfrentar no seu dia a dia.
Fórmula garantida: misture tudo isto, bata bem, depois projete nas telinhas: pronto ! Mais um sucesso acaba de ser gerado !
Já estão prontos os primeiros 13 épisódios.
Não é um número cabalístico não.
Spielberg não esquece que os famosos "serials", os seriados de antigamente, que ele ama, sempre tinham números ímpares de episódios: ou eram 13 ou então 15.
A HISTÓRIA DO SERIADO
O ano é 2.149 e a Terra é um lugar praticamente impossível de se viver: o ar é tão poluído que é preciso usar respiradores; as frutas são produtos raríssimos; o céu mal pode ser visto e a superpopulação fez com que os governos restringissem as famílias a apenas quatro membros - um casal e dois filhos, no máximo.
Mas nem tudo está perdido, pois os cientistas descobriram uma forma de abrir um "portal" que transporta as pessoas para 85 milhões de anos no passado.
Pessoas são recrutadas e enviadas ao período jurássico, a fim de criar uma civilização mais consciente, que tenha a capacidade de salvar o futuro da humanidade. E é na Terra Nova que os integrantes de uma família que ousou desafiar as autoridades, tendo 3 filhos, vão viver suas aventuras e enfrentar perigos de todas as formas.
Terra Nova é uma comunidade que tem um líder carismático, Taylor, um exército bem equipado e até alguns dissidentes inimigos, os Sextos (porque chegaram lá com a sexta leva de migrantes).
O maior impacto dos habitantes de Terra Nova é acostumar-se ao ar saudável, à claridade do sol, ao verde das florestas, ao azul do céu. Até a lua é novidade para os mais novos, porque em 2.149 ela está sempre encoberta pelas nuvens.
HOMENAGEM A HITCHCOCK
O episódio 3 de Terra Nova (Instinct), exibido no Brasil no dia 17 de outubro, é escancaradamente uma homenagem de Spielberg ao famoso mestre do suspense, Alfred Hitchcock, e ao seu filme "Os Pássaros" (The Birds), realizado em 1963.
O clima começa a ser o mesmo quando um bando de pterossauros começa a pousar em uma grande cerca que protege Terra Nova da invasão dos dinos. Os pássaros ficam observando os humanos.
Até que, ameaçados, iniciam o ataque. Não são poucos. São milhares, talvez milhões.
Em "Os Pássaros" a ação começa com uma gaivota e vai engrossando com a chegada de milhares de aves que atacam os habitantes da pequena cidade de Bodega Bay, na Califórnia.
Ao final, tão inexplicavelmente como apareceram, vão embora.
Já em Terra Nova, os cientistas descobrem por que os pássaros insistem em ficar ali: é o local onde, de tempos em tempos, costumam acasalar. Descobrem, também, o antídoto,que vai afastar a ameaça.
Criam um feronônomio, substância química que estimula o reconhecimento mútuo e sexual das espécies.
Um veículo vai impregnando o ambiente com o feronômio estimulante e afasta-se da "aldeia". Os pterossauros seguem-no. Vão para bem longe, onde irão acasalar e procriar.
Terra Nova está salva.
O "PRIMEIRO" FIM DA TERRA !
Os habitantes de Terra Nova não imaginam o que seus descendentes irão enfrentar 20 milhões de anos depois, quando um grande cometa, ou meteoro, colidir com a Terra, eliminando os dinossauros e toda a vegetação aqui existente.
Aliás, cientistas chegaram a conclusão de que o frio intenso na face da Terra, há 65 milhõs de anos, fez com que a maioria dos dinossauros morresse antes da colisão.
Mas como os humanos sobreviverão a esse cataclisma?
Certamente Steven Spielberg tem a resposta na ponta da língua.
A REALIDADE QUE INSPIRA A FICÇÃO
Se o telespectador/internauta está assistindo a esta série bem acomodado em sua poltrona, sem qualquer resquício de preocupação, a não ser divertir-se com as situações apresentadas, então é bom lembrar que nem tudo é cor de rosa na face da Terra. Não estamos falando do ano 2.149, Século 22, Terra Nova.
Nosso cenário é 2.011, Século 21, data estelar: hoje . Planeta Terra!
Querem um exemplo?
O correspondente do jornal brasileiro "O Estado de São Paulo" ouviu, em Pequim, o fundador do "Global Institute for Tomorrow" de Hong Kong, Chandran Nair, que acaba de editar um livro que abre as portas para um novo apocalipse. A tradução literal do livro, referindo-se ao consumo atual e desenfreado dos asiáticos, é "O Papel da Ásia na Reformulação do Capitalismo e Salvação do Planeta".
A preocupação de Chandran é pertinente quando ele questiona:
"A população atual da Ásia é de 3,5 bilhões de pessoas, mas só 500 milhões estão na periferia do consumo. Se a maioria dos asiáticos começar a consumir como americanos, você pode imaginar o que vai ocorrer ?"
Ele vai mais adiante com seus exemplos:
"Atualmente , 350 milhões de americanos comem 9 bilhões de aves todos os anos. Na Ásia, 3,5 bilhões de pessoas consomem 16 bilhões de aves. Se em 2050 os asiáticos comerem a mesma quantidade per capita que os americanos, eles consumirão 120 bilhões de aves. A China é o maior mercado automobilistico do mundo. Mas tem apenas 150 carros para cada mil habitantes. Nos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a relação é de 750 por mil habitantes. Na Índia são apenas 35. Se os chineses e indianos tivessem o mesmo padrão da OCDE, a Ásia teria 2 bilhões de carros", enfatiza Chandran. "Isso é insustentável, e não apenas porque agrava a poluição. De onde virá a energia para movimentar estes carros ? Nós fingimos que de alguma maneira os seres humanos podem encontrar uma solução." (O Estado de São Paulo, 16/10/2011).
E AGORA ?
As soluções com que os humanos sonham podem ser aquelas criadas pela ficção-científica em livros, quadrinhos, TV e cinema!
Talvez inventem um "portal" de verdade, como no seriado "Terra Nova", e todos possamos voltar aos tempos jurássicos, dispostos a criar, e manter, um saudável mundo novo!
Ou então, quem sabe, sejam lançadas ao ar cidades espaciais que sirvam, um dia, para abrigar nossa intoxicada humanidade.
Só o tempo dirá.
Enquanto isto os asiáticos sonham em consumir tanto quanto os americanos. Convencê-los do contrário não será tarefa fácil.
FIM. (FIM ?)
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